A princípio, quando se fala em política cultural logo se pensa em cobrar do poder público uma lei (regra) clara para se fazer cultura, mais especificamente em organizar o investimento às expressões artísticas em uma comunidade - e nesse sentido, uma das primeiras coisas a se pensar é uma lei de fomento ou incentivo à cultura. Mas será que apenas isso é suficiente?
Isso não é mais do que uma política cultural emergencial - que se torna, ao final do túnel não uma luz, mas uma ilusão muito bem articulada. O pensamento que norteia essa ótica está imbuído (mesmo que de forma inconsciente) de mercadologismos, de tratar cultura como produto, objeto de troca, tipo toma lá, da cá. E quando é assim, aquele que deveria ser o capitão dessa nau, tem que baixar a cabeça e aceitar "pitacos" de todos os lados: do poder público, do patrocinador, do captador de recusros... Todos se acham no direito de opinar sobre a obra que, no final, é filha do artista.
Mas não apenas isso. A "cultura" tratada nesse tipo de política é relegada às manifestações, às linguagens artísticas e o entretenimento e o divertimento passam a ser o alvo dos investimentos em cultura - e o artista acaba por baixar sua cabeça e pedir benção (mas, não podemos condená-lo, afinal o pão de cada dia está em jogo aqui).
Cultura vai além de expressões e forma e não se tem uma idéia clara de seu papel na sociedade. A lógica da cultura não se baseia em números: de investimento, de captação, de empregos gerados, como aquela que norteia a economia da cultura. Cultura está ligada à realidade e às relações do ser com essa realidade - não de forma passiva, mas crítica em seu pensamento e em sua construção.
Relegar uma política cultural à meras questões de mercado, de interesses partidários, de incentivo e não pensá-la como uma ferramenta de cidadania, de inclusão, de educação - que construa um indivíduo e uma coletividade mais consciente de seu papel social - é subestimar o significado de cultura e encerrá-la entre as quatro paredes diminutas da bilheteria do teatro da esquina.
Um departamento, área ou setor que lide com cultura e arte deve ser um local de estímulo à ricas e diversas expressões, trocas, reflexoes e construções e não um balcão de privilégios e distribuidor de verbas, ou um servidor de interesses de outros departamentos e poíticas.
veja mais sobre essa e outras questões em cultura e mercado
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Nesse espaço você dialoga com ComunA e deixa seus comentários e observações sobre o que escrevemos.