Abandonai as cavernas do ser. Já é hora de deixar vossas moradas. Abra portas e janelas, deixai o sol entrar. Saia à rua e veja a multidão, não a massa de pessoas, mas as diversas identidades cada qual com sua perspectiva que ora discordam, ora concordam.
Paradoxalmente, almejamos a segurança coletiva, em prol da liberdade individual. Nos fechamos em guetos “verdadeiros” ou “voluntários”. Confinamentos espaciais ou fechamento social. Condomínios fechados, guetos voluntários onde as pessoas almejam estar, e quem está não quer sair ou favelas, guetos verdadeiros para onde as pessoas não querem ir e quem está não pode sair. Nesse desenho proforme da sociedade há alguma chance de desproformiza-la? Quando sairemos da hipocrisia “burguesa” – Quem não é burguês? - e de fato implantarmos os ideais ultrapassados nunca alcançados do século XVIII: LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE?
No mundo realmente invertido, o verdadeiro é um momento falso. O reality show invadiu o espaço privado. A vida cotidiana é espetacularizada. A realidade cada vez mais é vista através de uma câmera digital – simulacro. As coisas desinteressantes são abandonadas em algum lugar da memória inventada, em algum tratado geral das grandezas do ínfimo, em algum compêndio ou cantigas de roda.
Mas, o sacrifício deve ser recompensado. Em troca de seu sacrifício real os trabalhadores recebem o instrumento de sua “liberdade”, mas essa liberdade é puramente fictícia já que o poder controla os modos de uso de todos os equipamentos e materiais. A alienação multiplica as necessidades porque ela não satisfaz nenhuma. Nenhuma liberdade satisfaz. Liberdade nenhuma.
Pensai na educação de um país. Já é hora de saber que as escolas não têm competências suficientes para auxiliar na feitura de um indivíduo. Cuidado!! Para não se ter a estória do Pinóquio às avessas: um menino que nasce de carne e osso e, à medida que vai à escola vai se tornando um menino de madeira. Senhores pais, não esqueceis que também cabe a vocês o cumprimento dessa missão.
Protestai contra o estreitamento insensato que se impõe à idéia da cultura ao se reduzi-la a uma espécie de inconcebível Panteão – o que resulta numa idolatria da cultura, assim como as religiões idólatras põem os deuses em seus Panteões. Protestai contra a idéia separada que se faz da cultura, como se de um lado estivesse a cultura e do outro a vida; e como se a verdadeira cultura não fosse um meio refinado de compreender e de exercer a vida.
Façamos, nós artistas, uma GREVE DA ARTE. Pintores larguem seus pincéis, escultores sua argila, músicos seus instrumentos, atores e dançarinos o palco. Dois anos sem produção artística. No dia da paralização nada acontece... Tudo continua como era. O movimento articulado se estabelece como sendo a própria obra de arte. Ahhh!!!O importante é fazer refletir a respeito do fazer artístico. Que rumo esta indo. Arte é produto de consumo? A obra de arte não é a própria contra partida social?
Amigos, Ninguém, Todo mundo, abandonai as cavernas do ser.
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