Já era hora de Comuna voltar a falar, pois ficou um bom tempo parada, vide a última postagem. Faz tempo que escreventes de ComunA não se ComunicaM. Vamos então à fala, ou melhor, escrita... O que me incentivou ao ato foi um texto, artigo, crítica, ou algo do gênero, do blog de um amigo. O título da postagem é "Liberdade, um raro prazer", você encontrar no link http://leonardosantos.com.br/A liberdade é, sem dúvida, hoje, um raro prazer. Liberdade de ser exatamente quem você é e fazer exatamente o que quer fazer. Seja esse "quer fazer" o simpes degustar a fumaça de um cigarro e deixá-la penetrar seus pulmões e espalhar a agradável nicotina e outros elementos em seu sangue, liberando a maravilhosa sensação do fumar; seja falar alto e pelos cotovelos, ou ouvir axé e funk no som de seu carro com volume suficiente para causar um rompimento de tímpanos a qualquer momento (bom, se forem os seus tímpanos, o problema é seu); ou mesmo combinar listrado com motivos florais em suas roupas e botas douradas de cano alto. Faço o que quero e bem entendo, o problema é meu, pois não é? É também sua escolha fazer 50 abdominais ao acordar, ou tomar aquela tigela daquele troço meio marrom, meio roxo, com gosto de terra, que chamam açaí. As escolhas são pessoais e não se pode tolhé-las, apesar de que a própria negativa em si, já é um ato de tolher a liberdade de algo... A coisa se torna um ciclo, sem fim e uma discussão idem.
Mas, sejamos políticos, ou ao menos corretos, se é raro, hoje em dia, ser politicamente correto. Estabeleçamos o limite e que ele seja a boa convivência. Certas proibições impostas pelo estado, como juiz da boa convivência, servem para tal. Um bom exemplo é a proibição de beber e dirigir - isso mata e mata, principalmente quem está do lado de fora do veículo. Se o cigarro agride e incomoda não fumantes, sendo prejudicial à sua saúde inclusive ("ah o agradável aroma da queima do tabaco, quero também sentí-lo comigo, em meus pulmões", não seria a frase dita por um não fumante) e já que é uma livre escolha do fumante acender seu zipo e fazer brasa no fumo picado, compactado e enrolado numa fina folha de papel, uma escolha só sua e de mais ninguém, não seria justo, ou ao menos correto compartilhar sua fumaça com aqueles que não a querem, seria? Fume então, onde não vá incomodar o próximo; o mesmo vale para os ouvintes frenéticos do funk bunda, do axé poposão: compartilhem seu gosto com aqueles que sintonizam consigo os mesmos (mal) hábitos - descupem o juizo de valor, não resisti à inclusão do adjetivo.
Uma antiga máxima deveria valer em todos os casos onde seu próprio hábito pode agredir o próximo: "Não faças com o outro o que não gostaria que fizessem com você". Questão de pontos de vistas diferentes. Ninguém precisa comer quilos de terra, digo, açaí, ou ter barriga de tanque, pois afinal quem gosta disso é lavadeira; ninguém precisa comer só brócolis e gergelim e esquecer a carne, ninguém precisa deixar de fumar, ou ouvir funk, ou fazer suas extravagâncias; como também não há porque radicalizar e entortar a cara aos fumantes, comedores de carne, beberrões de coca-cola, dançarinas de axé.
Escolhas, caminhos... É disso afinal que são feitos os nossos dias. Um grande palco de rolling playing game. Façam suas escolhas... Mas pergunto: será que elas são realmente e verdadeiramente suas ou foram fabricadas do lado de fora e semeadas em você?
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Nesse espaço você dialoga com ComunA e deixa seus comentários e observações sobre o que escrevemos.